sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Por que "Física no Fusca"?

Como tudo isso começou?

"Quem aí gosta de Física?"

Cri, cri, cri... (quase todos os professores de Física ouvem grilos depois dessa pergunta).


Será que eles gostam de Física?

Talvez você esteja acessando esse blog pela primeira vez (depois de ver a matéria na TV?) e é por isso que pretendo, por meio deste post, lhe dar algumas explicações sobre o projeto. Vamos lá?

Não gostar de Física já é cultural, é um costume em nossa sociedade. As razões? Não sei se dá pra dizer. Difícil, cheia de contas, fórmulas, números, leis, chata, inútil ("por que estudo isso, meu Deus?"), coisa de louco e todas as outras qualidades que você pode ter pensado. Talvez a culpa (se é que existe um culpado) seja da escola, pois é nela que as pessoas deveriam desenvolver o gosto pelo aprendizado, pelas ciências e (por que não?), pela Física. A Física na escola não pode ser só um amontoado de fórmulas.


Logo do física in gioco

Se é natural as pessoas não gostarem de Fìsica, cabe aos professores de Física fazer alguma coisa, certo? Já dá pra ter uma ideia de como tudo começou...

Tudo começou há um tempo atrás, na Ilha do Sol... digo... tudo começou em uma aula de Termodinâmica. Lá estava eu falando sobre as tais leis de transformação de calor em movimento, quando me ocorreu a ideia de levar os alunos até o meu carro (que não era o Fusca) no estacionamento da escola pra que eles pudessem ver "a coisa funcionando na prática". Quando abri o capô e comecei a explicar, percebi que a reação dos meus jovens pupilos, principalmente das meninas, que via de regra não são muito próximas de motores de carros, era algo em torno de "Caramba...". Depois dessa aula fiquei pensando em como fazer com que eles pudessem ver diversos conteúdos da Física de forma prática, divertida, interativa e coisa e tal.

Como o objetivo era tentar aproximar a Física da realidade dos estudantes e, ao mesmo tempo, mostrar que ela está presente nas coisas mais simples do nosso cotidiano (como um Fusca!), surgiu a ideia de usar um Fusca como laboratório didático-pedagógico de ensino de Física! Foi mais ou menos assim que nasceu o "Física no Fusca".


Termodinâmica neles!

Leis de Newton - ainda antes dos adesivos
A partir daí comecei a pensar e desenvolver ideias pra associar cada parte do Trovão Azul (esse é o nome do meu fusquinha) aos assuntos da Física: leis do movimento, eletricidade, ondas, óptica, termodinâmica e por aí vai.

É claro que essas "aulas práticas" não substituem os exercícios, o estudo matemático e algumas formalidades necessárias ao bom desenvolvimento dos alunos no aprendizado de uma ciência natural, mas funcionam como um bom complemento didático.

E ainda devo dizer que o "Física no Fusca" acaba sendo mais do que simplesmente usar um carro como ferramenta de ensino-aprendizagem. Trata-se de uma concepção de aulas baseada na contextualização dos assuntos da nossa "tão adorada" disciplina. Durante o nosso trabalho, desenvolvo atividades usando assuntos que podem despertar maior interesse nos alunos, como os esportes, a música, as artes plásticas e por aí vai.

Quem sabe assim, em algum lugar do espaço-tempo, num futuro não muito distante, quando um professor de Física perguntar: "Quem aí gosta de Física?" ele possa ouvir um pouco mais do que os grilos...

Muito obrigado pela visita!

Até a próxima!

Beijo

Prof. Fred Zenorini

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Física no Fusca e na mídia

Dentre as ideias que ponho em prática nas salas de aula para melhorar a relação dos alunos com a Física, destaco a que eu chamei de "Física na Mídia". Consiste no seguinte: os alunos devem relacionar uma notícia veiculada em qualquer veículo (pleonasmo!) da mídia (jornais, revistas, sites, TV etc.) à Física e apresentá-la pra sala. É claro que não basta só fazer a leitura, ou apresentar um vídeo, é preciso refletir e comentar a notícia. Estou gostando muito dos resultados desse trabalho. Só pra você ter uma ideia, já passaram pelas salas de aula assuntos que vão desde o futebol (um chute do Roberto Carlos) até a antimatéria (!), graças a esse projeto.


Uma piadinha sobre a antimatéria. Depois eu explico...

É muito bom ver os jovens se aproximando das Ciências, coisas assim dão sentido ao trabalho do professor.

E já que estamos falando da relação da Física com a mídia, o projeto "Física no Fusca" já está dando o que falar! Essa semana saiu uma reportagem no Jornal Em Dia (aqui de Bragança) sobre ele! Foi muito bom ver como a equipe do jornal captou o "espírito da coisa".

Já no próximo sábado, às 11h45, vai ao ar uma matéria que gravamos para a TV Vanguarda (Globo aqui da região) sobre o projeto!

Jonas Almeida, Gatinho (não eu, o cinegrafista), as alunas, o Trovão Azul e eu
Pra você sentir o "gostinho", vou contar uma passagem da nossa tarde de gravação (na última sexta). Depois de termos gravado na escola, com os alunos, fomos até o Lago do Taboão (local tradicionalmente utilizado para práticas esportivas nos finais de tarde aqui na Terra da Linguiça) pra trabalhar um pouco de Física junto aos transeuntes. Numa dessas, duas meninas que passavam por ali com cara de "Me chama" foram abordadas: "Vocês gostam de Física?", perguntou o apresentador (meu amigo Jonas Almeida). "Não", é claro que foi a resposta. "Mas vocês conhecem a gravidade, né?", interpelei-as. "Sim, uma hora tudo cai, né?", elas responderam. "Então por que a Lua não cai na Terra?", perguntei depois dos risos gerais. "Não sei, isso o professor explica". Quem já leu o post "Por que a Lua não cai na Terra" já sabe a resposta e conhece a experiência (quem não leu é só procurar aqui), que foi realizada com uma das minas como protagonista, fazendo o papel de Terra.


Todo mundo conhece a gravidade

Depois de pegar o balde dentro do Fusca e do Jonas enchê-lo com água suja do lago, falei pra menina, porque ainda não sabíamos seus nomes: "Você é a... 'Terra'", ela completou. NÃOOOO! Só queríamos saber o nome da menina, antes dela incorporar "a personagem" Terra... (o nome da menina será preservado por razões circunstanciais)

Desfeito o "mal entendido", ela girou o balde, a água não caiu de dentro dele e provamos, mais uma vez, porque a Lua não cai na Terra.

Viva a Física!

Não se esqueça: Física no Fusca às 11h45, sábado (27/11) no Vanguarda Mix, com Fred Zenorini e Jonas Almeida.


Fred Zenorini e Jonas Almeida em momento Rock'n Roll

Beijo

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Dicas para a Fuvest, Unicamp e outras provas

Passar no vestibular é só o começo...

Não posso deixar de dizer que para se dar bem em qualquer prova, ser um bom leitor é fundamental. E ser um bom leitor significa saber ler nas linhas e nas entrelinhas. O bom leitor identifica informações úteis onde parece que elas não existem. Ter desenvolvido essa habilidade é de suma importância, não só pras provas, mas pra sua vida também.


Se você não for um bom leitor, pode precisar de placas assim

No que se refere às Ciências da Natureza, mais especificamente, você precisa tem claro na sua cabeça o que é ciência, como ela trabalha e como ela se desenvolveu como construção humana. Desde os primeiros observadores e intérpretes do mundo (os filósofos da natureza), algumas coisas mudaram e outras não.

Por exemplo, apesar de todo o avanço tecnológico, a ciência continua se baseando em observações. Curiosidade, necessidade, observação, interpretação, avanço; são palavras que você pode associar ao trabalho científico. Hoje o homem  consegue simular situações e acontecimentos que já aconteceram ou que podem estar pra acontecer, o que pras previsões e investigações da Ciência pode ser muito útil.

Outra coisa que avançou foi a modelagem matemática. No que se refere às suas habilidades de leitura, entra aí também o "matematiquês", idioma que você deve ter um relativo domínio pra poder interpretar as questões das áreas de Ciências. Vale ressaltar aqui que a Matemática, pra Física, é como o Português (ou qualquer língua): uma simples ferramenta. Alô, professores: Matemática é ferramenta e só... rá-rá-rá! E a Química? Uma grande "regra de três"! Rá-rá-rá! É como eu digo pros meus alunos: aprenda a fazer "regra de três" e resolva 50% dos problemas da sua vida e 90% dos problemas da Química... rá-rá-rá!

Brincadeiras à parte, antes que eu seja linchado pelos professores de Matemática e de Química (que é uma sub-área da Física... rá-rá-rá... de novo, eu não resisto!), vou deixar aqui uma dica mais específica pra fazer as questões que envolvem a nossa tão amada disciplina. Em letras garrafais, como diria minha professora de Gramática, Cristina Zappa (que Deus a tenha!): PRESTE ATENÇÃO NAS UNIDADES DE MEDIDA, CABEÇÃO!

Na maior parte das vezes, você não precisa saber as fórmulas, basta prestar atenção nas unidades. Por exemplo, se você não se lembrar como se calcula o momento de uma força. O que fazer?


Calma, calma, não precisa ficar assim...

a) chorar
b) colar
c) deixar pra próxima
d) ver que a fórmula está "nas entrelinhas" da unidade

Se você assinalou "d", acertou! Momento (ou torque) de uma força se mede em newtons por metro (no SI), ou N x m. O que medimos em Newtons? Força. O que medimos em metros? Distância. Neste caso, a "distância" é o "braço" da força, ou a distância da linha de ação da força até o ponto de apoio. Logo, momento = força x distância (braço da força).

Outros exemplos:
velocidade (km/h = quilômetros / hora = distância / tempo)
impulso (N x s = newtons x segundos = força x tempo)
pressão (N/m2 = newtons / metros quadrados = força / área)
intensidade de corrente elétrica (ampere = C/s = coulombs / segundo = carga / tempo)
densidade (g/cm3 = gramas / centímetros cúbicos = massa / volume)


Viu como é fácil?

Esses são só alguns, você pode usar essas relações pras grandezas que quiser! Divirta-se e boas provas!

Beijo

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Enem parte II - E nem falamos das trapalhadas do governo...

Isso é uma vergonha (como diria Boris Casoy, o filósofo)! Não adianta virem me dizer que dentre milhões de provas, apenas alguns milhares tinham problemas de impressão e que apenas alguns alunos foram prejudicados.

Ninguém aqui é sensacionalista, não me chamo Fred "Datena"!

A troca dos cabeçalhos do cartão de respostas da prova de sábado, por exemplo. Isso não aconteceria nem em uma escola de Ensino Fundamental I (como todo respeito a elas)! O que quero dizer é que a coisa é tão grave que chega a não parecer um simples "erro". Teorias da conspiração à parte (do tipo "o homem não pisou na Lua), podemos dizer que existe um imenso jogo de interesses por trás do Exame Nacional do Ensino Médio.

Se o Enem "der certo" como ferramenta de acesso ao Ensino Superior público, por exemplo, a "indústria do vestibular" vai deixar de faturar horrores com ele. Encaixam-se aí os que preparam os vestibulares e os que preparam os estudantes para os vestibulares. É claro que podem surgir por aí (e já estão surgindo) cursinhos especializados em "preparar para o Enem".
Olha aí o Enem...

... sendo engolido por um buraco negro
Acontece que se o Enem "der certo" como ferramenta de análise do papel do Ensino Médio na vida dos jovens e, consequetemente, na formação da sociedade, nossos estudantes não precisarão ser mais "preparados" para fazer o Exame, pois eles já estariam sendo preparados ao longo de todo um Ensino Médio que funciona. Entendeu como  o buraco-negro (será que é assim que se escreve depois do novo acordo?) pode ser muito mais embaixo? Buracos-negros são assim mesmo, nem a luz escapa...

Como diriam musicalmente os Mutantes: "Sabotagem...".
Beijo

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Por que a Lua não cai na Terra?

Perto dali, numa aula de Astronomia em algum lugar do espaço-tempo:

"Professor, se existe a gravidade, por que a Lua não cai na Terra?" (leia com "voz de aluno")
Fases da Lua

É natural quando começamos a estudar o fenômeno da gravidade, pensarmos na possibilidade da Lua cair na Terra, ou da Terra cair no Sol, assim como nós caímos na Terra quando pulamos de cima de uma cadeira, por exemplo. Por que isso não acontece?

Na verdade, é como se a Lua estivesse sempre "caindo" em sua órbita em torno da Terra. Imagine que você joga uma bolinha de cima de um prédio bem alto (ou não... pode ser de cima dos ombros de um coleguinha mesmo). Quanto mais velocidade você imprimir à bolinha, maior será a parábola que ela irá percorrer, mais longe ela irá cair, certo, mano?

Agora imagine que você a joga com uma força tão grande, que ela não cai na superfície terrestre, mas sim "fora" da Terra. Isso faria ela entrar na órbita da Terra. É como se ela nunca parasse de cair, entende? Nesse caso, a força gravitacional faz as vezes de força centrípeta, o que dá à Lua (ou a um satélite, ou à sua bolinha) uma aceleração centrípeta, mudando a direção da sua velocidade o tempo todo.


Inspirada nas ilustrações do próprio Newton!

A experiência fica muito mais legal se você substituir a bolinha por um balde cheio de água. Se você girar o balde e a água não cair, você provou experimentalmente que a Lua não cai na Terra. Fizemos isso numa aula um dia desses. Veja o vídeo!
video

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Enem, nenem! E nem falamos da Física...


Esse é o Enem

Esse é o nenem
Final de semana tenso para meus jovens alunos e para os jovens brasileiros em geral.

Por que tanta tensão? Por que é momento de avaliação. E por que avaliar? Por que é preciso entender. Entender para progredir. Ah, que bom seria se todos os envolvidos (alunos, professores, educadores, ministros, políticos...) entendessem isso de uma vez.

O objetivo principal do Enem é servir como um mecanismo de avaliação para o Ensino Médio. Como estão as nossas propostas? Pra que deve servir o Ensino Médio? Perguntas como essas precisam de instrumentos como o Enem para ser respondidas.

É fato que o Ensino Médio precisa mudar. Muitos o veem como mera transição entre o Ensino Básico e o Superior, outros, o que é muito pior, o veem como mera preparação para "passar no vestibular". Quem vê o Ensino Médio assim corre o risco de se transformar em um "formador de vestibuloides" (no caso das escolas) ou em um vestibuloide propriamente dito (no caso dos alunos), que sabe pouco além de fazer provas e resolver testes.

É claro que o aluno que sai "formado" do Ensino Médio deve saber fazer provas e resolver testes, mas se ele estiver limitado a apenas isso, caminharemos para o fim dos tempos.

Agora o vestibular. Seu fim está próximo, acredito. Por que vestibular? Simplesmente porque existe um maior número de interessados em entrar nas universidades do que o Governo consegue oferecer de vagas. E no caso das universidades públicas, essa relação de interessados/vagas é muito maior.

Nesse caso, o Enem funciona como um substituto do vestibular (pra entrar nas Federais, por exemplo). O que aumenta a tensão. Boa parte dessa culpa eu atribuo a nós professores. Precisamos ainda aprender muito sobre avaliação pra poder trabalhá-la de forma mais coerente e "correta" junto aos alunos. Se os alunos ficam tensos durante uma avaliação, tirando fatores normais de genética, hormônios e tal, é porque nenhum de nós entendeu ainda o processo avaliativo. E essa já é outra história... 

Viu como não sabemos avaliar?

Minhas dicas para os nenens que farão o Enem. Antes de tudo, sejam bons leitores. E isso vale para as duas formas de linguagens que utlizamos: o Português e o "Matematiquês". Saber ler é saber identificar padrões, é saber interpretar dados, é saber o que fazer com as informações. Tabelas, gráficos, textos, equações... Esteja familiarizado com elas. Treino.

Quanto à Física e às Ciências Naturais (que não têm nada de exatas, pelamordedeus!): energia. O mundo gira em torno dela e graças à ela. Todas as "formas de energia" movem a humanidade, o capital, a grana, a bufunfa, o tutu, o dinheiro, a sociedade. As energias estão sempre associadas ao movimento, mesmo que não diretamente, como no caso da cinética, mas também no caso da potencial (energia guardada), que no fim vão se transformar em movimento. As ciências desenvolveram diversos mecanismos pra fazer com que o homem aproveite as diversas formas de energia disponíveis naturalmente: solar, nuclear, eólica, cinética, mecânica, química, elétrica... Conheça bem o tema. Leia os jornais, as revistas, os sites, os blogs. Veja como as notícias, invariavelmente, falam sobre energia.


A chave do sucesso

E por último, se você perder a concentração, descontraia. Leve pra comer um pacote de biscoitos de polvilho bem crocante. Abra o pacote no meio da prova. Mastigue calmamente (mas com vontade) os seus biscoitos. Os seus movimentos faciais e o som, em decorrência da crocância, têm uma grande chance de proporcionar a você uma dose extra de concentração. Café e refrigerantes "de cola" também podem ter esse poder.

E se você ficar muito tenso, pense no seguinte: "vestibular é que nem carnaval: todo ano tem e um dia você vai ter que passar".

Boa prova a todos.


Beijo