Física na mídia

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Gravidade Zero (Conrado e Aleksandro) - meta-física, meta-poesia, meta-música...

Um dos significados do prefixo grego "meta": mudança. Será essa a proposta da dupla Conrado e Aleksandro? Mudanças na Física, na Música e na Poesia concreta-abstrata-neo-expressionante?!

Na procura por algum material na "internê" que pudesse trazer alguma graça às minhas aulas de Lei da Gravitação Universal, deparei-me, absolutamente sem querer, com esta pérola recente da Música Popular Sertaneja Universitária de DP. É isso mesmo, de DP, porque escrevendo uma letra dessas, que farei questão de analisar, só tomando pau em Física, bixo.

O clipe começa bem, com as cenas do "home" pisando na Lua e você pensa: "que massa, sertanejos que sabem Física!". Calma, isso é só o começo. Vamos ao refrão:

"Eu me sinto na gravidade zero
te espero, te quero todo dia
fada amada me leva pro seu mundo
profundo da sua alegria"

Deus, por que colocar a pobre gravidade nesses versos?! Coloque qualquer coisa no lugar da "gravidade zero" e veja como pode ficar bom:

eu me sinto na cova do cemitério
eu me sinto como se fosse o deutério 
eu me sinto na casa do seu Rogério

...e por aí vai.

E esse papo de gravidade zero? Isso existe mesmo? Não, não, não! Segundo seu Zé Newton, o que rola é a atração entre as massas. Quanto maiores as massas, maior a atração mútua entre elas, na razão inversa de sua distância ao quadrado. Ou seja, quanto mais longe, menos atração. Se você for pra bem longe da Terra, não vai ficar na tal "gravidade zero", pois ela pode ficar menor, mas não desaparecer. Isso sem contar que você, dependendo de onde estiver, vai sofrer a influência do campo gravitacional de outros corpos, como a Lua, Marte, Vênus, um côco, sei lá...

O que faz a gente pensar na gravidade zero é um lance que a Física chama de imponderabilidade. É simples: se você está dentro de uma coisa, como um elevador, um avião, uma nave, uma sonda, ou uma casa, que cai na Terra, você e a coisa (a nave, por exemplo) caem da mesma forma, logo, não é possível sentir o seu próprio peso. Essa é a sensação de "gravidade zero" que se tem dentro de uma estação espacial que está em órbita em torno da Terra, pois os astronautas e a nave estarão sujeitos à força gravitacional da Terra que faz papel de centrípeta e os faz ter uma órbita circular. Voltemos à canção...

No primeiro verso depois do refrão inicial:

"Eu já estava chorandinho de amar
Quem quer distribuir paixão na rua..."

Tente digitar chorandinho em algum texto. Nem o Word aceita! Eis a forma verbal que deve ter sido criada em Minas:  "gerúndio diminutivo". Outros exemplos que você pode usar de vez em quando: digitandinho, escrevendinho, rindinho, correndinho, comendinho... Ah, e o que isso tem a ver com quem quer distribuir paixão pela rua?

Logo a seguir:

"No seu céu flutuei
Abalou minha estrutura"

Amigo, ou você flutua, ou a sua estrutura é abalada. As duas coisas ao mesmo tempo não dá!

O pré-refrão foi muito pra mim. Confesso que não consegui entender o que é um "amor fino semi-literal". Veja você mesmo:

"Amor fino semi-literal contra a força gravitacional
E a gente contempla o céu debaixo do chapéu"

Por que não mudar o sentido do seu "amor fino e semi-literal(?!)" e colocar a favor da força gravitacional? Dá mais jogo. Pra baixo todo santo e a gravidade ajudam! Falando na força gravitacional, olha ela aí:

Também é preciso tomar cuidado ao "contemplar o céu debaixo do chapéu", afinal, ele é um corpo opaco e não vai deixar vocês contemplarem nada, pois a luz não vai atravessá-lo...

Pra finalizar:

"Acordar sem saber me despertar
Fada, Lua, minha estrela cadente"

Essa é uma prova de que essa mulher deve ser mesmo "de outro mundo". Um mundo onde as fadas e as estrelas cadentes existem. O que você viu, caro Aleksandro, enquanto se inspirava para escrever esta bela canção, na melhor das hipóteses era um meteoro incandescente caindo na Terra e em atrito com os nossos gases atmosféricos, daí a luz que acabam emitindo. E a Lua? Pobre Lua...

Você viu quanta Física se pode discutir ouvindo a sua música preferida? Valeu Conrado! Valeu Aleksandro!

Pense nisso!

Beijo




2 comentários:

  1. Fred também é cultura!
    Haha, gostei do post.
    Mas não da música xD
    Só para falar do óbvio, olha a aula que essa música fez você dar!
    Tsc, tsc.
    Beijos!

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  2. Até as músicas que a gente não gosta podem ser úteis pra alguma coisa, né?

    Beijo

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